the boy of ashes

“But you, you knew the night is still and silent,

And I alone remain alert and brood.

I am the only victim of your weeping: 

The beast has fixed his eyes on me to be his only food.

 

At times I shudder suddenly and tremble,

I wander, lost, and panic drives me wild:

I hear you caling me from all directions,

I feel like a blind man being tormented by a child.

 

But you, you hid your face. You did not stop me,

With pigeon’s blood and darkness in your tears,

Entangled in the dark, remotely sobbing,

Where memory or sense or understanding disappears.”

 

Weeping by Natan Alterman

“When you go please don’t leave your love

In the sun my heart would melt away”

Charli XCX - Nuclear Season

“you might think i’m dreaming
when i twist and shiver 
as i close my eyes
 
but never stop believing
on the tips of your silent quiver
i never feel more alive” (06/05/2012) A.K.C.D.

philguillou:

Mariacarla Boscono by Jean-Baptiste Mondino

“you might think i’m dreaming

when i twist and shiver 

as i close my eyes

 

but never stop believing

on the tips of your silent quiver

i never feel more alive” (06/05/2012) A.K.C.D.

philguillou:

Mariacarla Boscono by Jean-Baptiste Mondino

“E você acredita que vão respeitar suas ausências, não no essencial mas no simbólico, como se não fosse infinitamente mais fácil arrasar os símbolos do que os fatos passados e acontecidos, eles são suprimidos ou apagados sem esforço excessivo, basta estar decidido e dominar as recordações. Você não acredita que Luisa vá ter um novo amor ou amante dentro de pouco tempo, não acredita que já o esteja esperando sem saber que o espera, ou até procurando-o e pescoço espichado e olhar alerta sem saber que o procura, nem que lhe cause ilusão passiva a aparição previsível de quem ainda não tem rosto nem nome e portanto encerra todos, os possíveis e os impossíveis, os suportáveis e os nauseabundos. No entanto você acredita, sim, incoerentemente que esse novo amor ou amante Luisa não levará para casa, com as crianças, nem para nossa cama que já é só dela, e que o verá quase às escondidas como se o respeito para com minha lembrança ainda recente assim lhe impusesse ou lhe implorasse - um sussurro, uma febre, um arranhão -, como se ela fosse uma viúva e eu fosse um morto merecedor do luto que não se pode substituir tão cedo, ainda não, meu amor, espere, espere, ainda não é a sua hora e não arruíne a minha, dê-me tempo a ele, a esse morto, seu tempo que já não passa, dê-lhe tempo para esfumar, deixe que ele se transforme em fantasma antes de você ocupar o lugar dele e afuguentar a carne dele, deixe-o transformar-se em nada e aguarde até que não  reste cheiro nos lençóis nem em meu corpo, deixe que o que foi não tenha sido. Você acredita que Luisa não admitirá sem mais nem menos esse homem em nossos costumes e em nosso retrato que permitirá que seja ele de repente que a ajude a preparar o jantar(…).

Mas a gente deve se acostumar com a ideia de que não há nenhum luto nem esse respeito por nossa lembrança nem pelo que agora decidimos erigir tardiamente em símbolo, entre outras razões porque Luisa não é viúva nem nós morremos nem eu morri, senão que não estivemos suficientemente atentos e nada nos é devido, sobretudo porque o tempo dela, que envolve e arrebata as crianças, já é muito diferente do nosso, o dela avança sem nos incorporar e eu não sei direito o que fazer com o meu, que também avança sem me incorporar ou ao qual ainda não soube me elevar, talvez eu nunca mais me ponhe em dia e siga somente a esteira desse tempo meu. Logo haverá um sujeito ao seu lado encarregando-se das omeletes e esforçando-se por marcar pontos no dia-a-dia perante ela e as crianças, ele dissimulará durante meses seu aborrecimento por não dispor dela só para si e a qualquer hora, será paciente, o compreensivo, o solidário, e com meias palavras e perguntas solícitas e sorrisos de pesar retrospectivo cavará minha cova mais fundo ainda, na qual já estou enterrado. Isso é o previsível, mas quem sabe… Talvez seja um sujeito desenvolto e risonho que a leve para se divertir todas as noites e não queira nem ouvir falar das crianças nem pisar em nossa casa além da entrada, já vestido para sair e tamborilando apressado no batente da porta; que a obrigue a afastar-se delas, a descuidar delas, e a exponha a riscos e arraste a excessos alegres semelhantes aos que eu me permito aqui, não poucas vezes… Ou pode ser também um tipo despótico e venenoso, que a subjugue e isole e lhe insinue pouco a pouco suas exigências e proibições, disfarçadas de paixão e fraqueza e ciúme, de adulação e súplicas, um homem tortuoso que quem sabe uma noite de chuva e reclusão encerre suas manzorras no pescoço dela enquanto as crianças - minhas crianças - espiam tudo de um canto comprimindo-se contra a parede como se quisessem que esta cedesse e desparecesse, e com ela a visão atroz e o impedido choro que anseia por brotar mas não consegue, o pesadelo, e o barulho prolongado e esquisito que a mãe faz ao morrer. Mas não, isso não vai acontece, isso não acontece, não terei essa sorte e não terei essa desgraça (sorte no imaginário, na realidade desgraça)… Quem sabe quem nos substitui, só sabemos que sempre nos substituem, em todas as ocasiões, em todas as circunstâncias e em qualquer desempenho, no amor, na amizade, no emprego e na influência, na dominação e no ódio que também acaba se cansando de nós; nas casas em que moramos e nas cidades que nos aceitam, nos telefones que nos persuadem ou nos escutam pacientemente. Com o riso no ouvido ou um murmúrio de assentimento, no jogo e no negócio, nas lojas e nos escritórios, na paisagem infantil que pensávamos somente nossa e nas ruas esgotadas de tanto ver o viço perder-se, nos restaurantes, nas calçadas, em nossas poltronas e em nossos lençóis, até que não reste neles nem cheiro nem nenhum vestígio e se rasguem para virar tiras ou panos, e em nossos beijos nos substituem, e os olhos se fecham ao beijar, nas lembranças, nos pensamentos, nos sonhos, em toda parte, sou como neve sobre os ombros, escorregadia e mansa, e a neve sempre pára…”

Seu Rosto Amanhã [vol 1.] Febre e Lança - Javier Marías

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(via dangerousbodycrash)

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